devia ter meu tecto, meu porto de abrigo. mas nesta minha habitação desmoronada, não existe mais que pedaços de chão que me fogem dos pés à medida que tento avançar.
ela nunca tem a certeza que ele vem até o ver sair do carro estacionado. só nesse momento começa a fazer o jantar. deixava então a varanda já cansada de a ouvir.
é por isso que, sempre que ele chega, o jantar está por fazer.
quem passa por ali não sabe quantas vidas se tricotaram. havia vidas que pareciam camisolas daquelas que eram oferecidas no natal. não eram totalmente bonitas mas eram feitas com o coração.